quinta-feira, 28 de abril de 2011
segunda-feira, 25 de abril de 2011
domingo, 24 de abril de 2011
sexta-feira, 22 de abril de 2011
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Politicamente Incorreto
Proibiram piadas contra políticos nas últimas eleições. Equívoco semântico: nenhuma piada é contra alguém, toda piada nasce politicamente incorreta. Nunca ouvi a piada do homem branco, heterossexual, de meia idade, católico, bem-sucedido na vida profissional e no casamento. Para ser piada tem que ferir. Piada boa é de preto, veado, pobre, português, gordo, sogra, loira, judeu... Dessa maneira. Se for de negro, homossexual e obeso, já perde a graça! Não gosto de piadas com políticos, parece falta de ética. Não é comum ver humoristas contando piadas de humoristas.
Numa sociedade com tanta gente comum, em todos os lugares, fugir do humor pastelão para a ironia dos que se mantêm de pé e atentos (obrigado Gentili) é uma evolução. Por isso, sinto vergonha alheia quando ouço uma piada de papagaio num show stand up. Faço humor negro porque não tive escolha, nasci assim. Mas também, porque todo humor é preto. Não acredito em piada light, bonitinha, colorida... "O doce veneno do escorpião" tem menos citações eróticas do que imaginou Charles Perrault para a Chapeuzinho Vermelho. Bin Laden pode ter se inspirado na Bela Adormecida para aprender técnicas terroristas de envenenamento...
Outro fato histórico que comemoro é a abolição da escravidão dos palavrões. Há decadas, estes pobres vocábulos da língua portuguesa eram mantidos amarrados, sob tortura, por humoristas malvados que os obrigavam a causar riso. O show ficou ruim, lá vinha o comediante com o pobre do "Puta Que Pariu" açoitando-o para provocar o riso alheio. Hoje, esses seres foram libertos. Talvez aposentados por velhice, ganharam descanso e já não vemos mais, nos palcos, os pobres e desgastados "Caralho", "Vai Se Fuder" e o "Puta Que Pariu". O pobre "Vai Tomar No Cú", recentemente foi abusado por uma moça que usou mais uma vez o rapaz... Na verdade, alguns canastrões insistem em escravizá-los. Estes são os que, como o Bombril, "evoluíram com as mulheres", ou seja, se mantêm a mesma merda há décadas.
Um dia entenderão que "humor politicamente incorreto" é pleonasmo e única definição.
(Humor do Negro é o Stand Up de Marcelo Marques. Em breve, num teatro perto de você. Isso é uma ameaça...)
terça-feira, 19 de abril de 2011
sábado, 16 de abril de 2011
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Preto é o novo gordo. (A partir do texto "Gordo é o novo preto" de Léo Jaime).
Li o texto do Léo Jaime e percebi que a recíproca é verdadeira. Na era do culto ao corpo, com a proliferação das academais, estar acima do peso é infringir o 11° mandamento judaico: "Não excederás o IMC 25". Os gordinhos passaram a experimentar o aumento dos olhares de reprovação e das risadas por entre os dentes. O próprio Léo Jaime teve o seu talento visceral questionado pelo acúmulo de gordura. Muitos creditam o sucesso retumbante do Capital Inicial - único sobrevivente da geração 80 - à aparência atlética e jovial do vocalista Dinho Ouro Preto. Mas o preconceito destinado aos gordinhos é light. Ainda não foi necessário criar o Dia da Consciência Gorda ou a Parada do Orgulho Obeso. Ninguém impede o ingresso de um gordinho numa balada VIP, muito menos o tem como suspeito preferencial em meio aos transeuntes de uma via pública. A reprovação, na maioria dos casos, é sutil. Por isso, o negro é o novo gordo.
O preconceito racial está mais brando. Basta dizer que o Lázaro Ramos interpreta um galã na novela das oito. Aliás, quando querem exemplificar que conseguimos espaço na televisão citam a Taís Araújo e a Camila Pitanga. Espere aí! Quantas negras eu conheço, ou tenho na minha família, que se pareçam com a Taís Araújo ou a Camila Pitanga? Nenhuma! Isto é preconceito light. Para a atriz negra protagonizar a novela das oito, ela tem que ser linda e o menos negra possível: grande parte do público não acha que a Camila Pitanga seja negra... Por acaso, a Ruth de Souza, a Zezé Mota e a Neuza Borges já protagonizaram a novela das oito? Essas são negras, de verdade!
Quando entrava em sala, num cursinho particular no bairro do Maracanã para ministrar para adolescentes da classe média, os alunos, educadamente, perguntavam as minhas credenciais: "O sr. já trabalhou no colégio A? E no cursinho B?". Apertando a tecla SAP apareceria: "Ô negão, tem certeza que você tem qualificação pra estar aí, de pé?". Mas, não ousavam pronunciar tal frase. Antigamente era preconceito de verdade. Lembro que durante o primário, nos anos 70, fui 'elogiado' várias vezes por ser "um negro de alma branca" (sic). Lembro da professora de Estudos Sociais explicando a teoria da evolução: "Creio que foi Deus quem criou o homem, mas não podemos negar que algumas pessoas parecem descender dos macacos" (sic). Lembro que todos os anos eu dançava a quadrilha junina com a Janaína, única coleguinha de sala negra, como eu... Ainda somos os alvos preferenciais dos programas de auto-ajuda que proliferam na TV brasileira, distribuindo casas pré-moldadas e fortunas de dez mil reais. Mas também, somos seguidos no twitter (ou, também somos...), estamos no teatro, na música, no cinema e as mulheres negras já conseguem, até mesmo, decorar coreografias complexas como dançarinas em programas de auditório. (É bem verdade que o Sílvio Santos e o Gugu ainda não ratificaram o feito, mas estamos a caminho!). Com o microfone nas mãos, ainda não... Já seria demais!
No meu ramo são poucos os humoristas da dita 'nova geração do humor' que são negros: Luís Miranda, Marcelo Marron e Carlos Henrique. Ninguém mais! Quantos humoristas negros estão em cartaz no Zorra Total, Legendários, Show do Tom? Quantos fazem os sitcoms da Globo? Nenhum! Quantos redatores negros você conhece? Tratar a palavra com apreço é minha vocação, mas por maior que seja o meu talento, meus textos sempre chegam para análise escritos em fonte preta. Tenho o péssimo hábito de não usar caneta azul. Preconceito hoje é assim: brincadeirinha... O preto é o novo gordo!
O preconceito racial está mais brando. Basta dizer que o Lázaro Ramos interpreta um galã na novela das oito. Aliás, quando querem exemplificar que conseguimos espaço na televisão citam a Taís Araújo e a Camila Pitanga. Espere aí! Quantas negras eu conheço, ou tenho na minha família, que se pareçam com a Taís Araújo ou a Camila Pitanga? Nenhuma! Isto é preconceito light. Para a atriz negra protagonizar a novela das oito, ela tem que ser linda e o menos negra possível: grande parte do público não acha que a Camila Pitanga seja negra... Por acaso, a Ruth de Souza, a Zezé Mota e a Neuza Borges já protagonizaram a novela das oito? Essas são negras, de verdade!
Quando entrava em sala, num cursinho particular no bairro do Maracanã para ministrar para adolescentes da classe média, os alunos, educadamente, perguntavam as minhas credenciais: "O sr. já trabalhou no colégio A? E no cursinho B?". Apertando a tecla SAP apareceria: "Ô negão, tem certeza que você tem qualificação pra estar aí, de pé?". Mas, não ousavam pronunciar tal frase. Antigamente era preconceito de verdade. Lembro que durante o primário, nos anos 70, fui 'elogiado' várias vezes por ser "um negro de alma branca" (sic). Lembro da professora de Estudos Sociais explicando a teoria da evolução: "Creio que foi Deus quem criou o homem, mas não podemos negar que algumas pessoas parecem descender dos macacos" (sic). Lembro que todos os anos eu dançava a quadrilha junina com a Janaína, única coleguinha de sala negra, como eu... Ainda somos os alvos preferenciais dos programas de auto-ajuda que proliferam na TV brasileira, distribuindo casas pré-moldadas e fortunas de dez mil reais. Mas também, somos seguidos no twitter (ou, também somos...), estamos no teatro, na música, no cinema e as mulheres negras já conseguem, até mesmo, decorar coreografias complexas como dançarinas em programas de auditório. (É bem verdade que o Sílvio Santos e o Gugu ainda não ratificaram o feito, mas estamos a caminho!). Com o microfone nas mãos, ainda não... Já seria demais!
No meu ramo são poucos os humoristas da dita 'nova geração do humor' que são negros: Luís Miranda, Marcelo Marron e Carlos Henrique. Ninguém mais! Quantos humoristas negros estão em cartaz no Zorra Total, Legendários, Show do Tom? Quantos fazem os sitcoms da Globo? Nenhum! Quantos redatores negros você conhece? Tratar a palavra com apreço é minha vocação, mas por maior que seja o meu talento, meus textos sempre chegam para análise escritos em fonte preta. Tenho o péssimo hábito de não usar caneta azul. Preconceito hoje é assim: brincadeirinha... O preto é o novo gordo!
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